Indicador nº 5

Razão entre exames citopatológicos do colo do útero em mulheres de 25 a 59 anos e população feminina da mesma faixa etária e local de residência

Conceituação

Relação entre o número de exames citopatológicos do colo do útero, realizados e pagos pelo SUS, em mulheres de 25 a 59 anos residentes em um município, no período de três anos; e a população feminina de mesma faixa etária, residente no mesmo município, no último ano do triênio.

Interpretação

Expressa a produção de exames citopatológicos do colo do útero (Papanicolau) para a população alvo do rastreamento do câncer do colo do útero (população feminina de 25 a 59 anos) e aproximadamente a cobertura com tais exames.
Após dois exames seguidos (com um intervalo de um ano) apresentarem resultado normal, o preventivo deve ser feito a cada três anos segundo a publicação “Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer Colo do Útero” (MS, 2011).

Usos

Contribuir para avaliar a adequação do acesso a exames preventivos para câncer do colo do útero da população feminina na faixa etária de 25 a 59 anos.
Analisar variações geográficas e temporais no acesso a exames preventivos para câncer do colo do útero da população feminina na faixa etária de 25 a 59 anos, identificando situações de desigualdade e tendências que demandem ações e estudos específicos.
Subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas voltadas para a saúde da mulher.

Limitações

O indicador avalia a oferta de exame citopatológico com base no número de exames feitos e não no número de mulheres examinadas, podendo não retratar a real cobertura da população alvo do rastreamento.

Alguns cuidados devem ser observados na análise:
Por exemplo, uma razão elevada de exames citopatológicos na população alvo não significa necessariamente boa cobertura, mas a capacidade da rede de ofertar o exame.

Para análise do resultado do indicador, seria interessante obter informações sobre a periodicidade de realização do exame e/ou a cobertura da saúde suplementar.

Dessa forma, será possível avaliar se parte significativa das mulheres repete o exame fora da periodicidade recomendada e se parcela representativa dos exames em uma determinada localidade são feitos pelo sistema privado de saúde. Estas informações complementares auxiliam a compreender o significado do resultado obtido.

Fonte

Ministério da Saúde: Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA).
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): Estimativas populacionais e Censo 2010 (Datasus).

Método de cálculo

Número de exames citopatológicos do colo do útero, realizados no período de 3 anos, para mulheres de 25 a 59 anos residentes em um município; dividido pela população feminina na faixa etária de 25 a 59 anos, residentes no mesmo município, no último ano do triênio avaliado.

Numerador: Nº de procedimentos 0203010019 - exame citopatológico cérvico-vaginal/microflora  da Tabela de Procedimentos Unificada do SIA e SIH,  realizados para  mulheres na faixa etária de 25 a 59 anos, residentes em determinado município e período analisado.

Denominador: População feminina na faixa etária de 25 a 59 anos, residente em determinado município, no último ano do triênio avaliado.

Categorias sugeridas para análise

Unidade geográfica: Brasil, estados, regiões de saúde e municípios.

Dados estatísticos e comentários

Proporção de mulheres de 50 a 69 anos que fizeram mamografia segundo tempo decorrido desde último exame - Brasil, 2008 e Razão entre exames citopatológicos do colo do útero em mulheres de 25 a 59 anos e população feminina da mesma faixa etária e local de residência, segundo regiões, Brasil, 2008 a 2010.

Região

Tempo decorrido desde o último exame, PNAD Saúde 2008

SIA

 Até 3 anos % (a)

Mais de 3 anos % (b)

Nunca fez exame % (c)

Total inadequado % (b+c)

Razão Ex. Cito 2008 - 2010

 Norte

77,61

8,02

14,37

22,39

45,33

 Nordeste

74,09

7,58

18,33

25,91

60,40

 Sudeste

82,14

7,45

10,41

17,86

51,61

Sul

80,92

8,32

10,76

19,08

59,95

Centro-Oeste

79,11

7,33

13,56

20,89

53,89

Brasil

79,32

7,64

13,04

20,68

54,87

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD - Suplemento Saúde
Ministério da Saúde - Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA)

Os dados da PNAD - Suplemento Saúde mostram que, no Brasil, em 2008, 79,32% das mulheres de 25 a 59 anos fizeram um exame citopatológico de colo do útero nos últimos 3 anos.

A região Sudeste apresentou a maior proporção, atingindo  82,14%, resultado muito próximo ao da região Sul, 80,92%.  Enquanto no Nordeste o resultado mais baixo, equivale a 74,09%.

Relevante destacar que a média, no Brasil, de não realização do exame e de realização em períodos maiores que 3 anos foi algo em torno de 21%, um percentual ainda muito elevado para a não realização de forma adequada desse exame básico de rastreamento do câncer de colo do útero.

No pareamento dos dados da PNAD - Suplemento Saúde de 2008 e os dados do SIA d o triênio 2008 -2010, para o indicador Razão entre exames citopatológicos do colo do útero em mulheres de 25 a 59 anos e população feminina da mesma faixa etária e local de residência, pode-se inferir que em torno de 55% dos exames são realizados no SUS, podendo-se inferir que em torno de 24% dos exames são realizados através dos planos privados de saúde ou de forma particular (desembolso direto).

O SIA apresenta dados sobre exames e não mulheres e uma mesma mulher pode ter realizado mais de um exame citopatológico no período avaliado. Dados do SISCOLO do ano de 2012 indicam que 47% das mulheres que tinham informação de citopatológico anterior realizaram o exame no intervalo de 1 ano (Siscolo/Datasus)

Todos os  resultados acima estão abaixo do parâmetro definido para esse indicador, que foi de 90%.

Parâmetro do Indicador

90 exames realizados, no período de três anos, em mulheres na faixa etária de 25 a 59 anos, para cada 100 mulheres nesta faixa etária, residentes no mesmo município.

Pontuação do Indicador

Se o resultado é maior ou igual ao parâmetro, a nota é 10.
Se o resultado é menor que o parâmetro, a nota será diretamente proporcional ao decréscimo do resultado em relação ao parâmetro.