Indicador nº 4

Razão entre exames de mamografia em mulheres de 50 a 69 anos e população feminina da mesma faixa etária e local de residência

Conceituação

Relação entre o número de exames de mamografia de rastreamento realizadas e pagas pelo SUS, em mulheres de 50 a 69 anos, residentes em um município, no período de dois anos; e a população feminina de mesma faixa etária, residente no mesmo município, no último ano do biênio avaliado.

Interpretação

Permite conhecer o número de mamografias realizadas em mulheres de 50 a 69 anos, possibilitando inferir as desigualdades no acesso à mamografia e ao rastreamento do câncer de mama nesta faixa etária, considerando ser este o subgrupo alvo de mulheres para o rastreamento por mamografia do câncer de mama.
O indicador permite avaliar indiretamente o alcance da população feminina usuária em relação ao rastreamento da doença em um determinado período de tempo.
Taxas reduzidas podem refletir dificuldade de sensibilização e captação da população usuária para o rastreamento de câncer de mama ou dificuldades de acesso ao serviço.

Consideram-se nesse indicador os exames de mamografia bilateral para rastreamento. Em geral, a sensibilidade do rastreamento mamográfico varia de 77% a 95% e depende de fatores tais como: tamanho e localização da lesão, densidade do tecido mamário, qualidade dos recursos técnicos e habilidade de interpretação do radiologista. Em mamas mais densas – como ocorre em mulheres com menos de 50 anos – a sensibilidade da mamografia de rastreamento diminui para valores em torno de 30 a 48%. A especificidade do rastreamento mamógrafo varia entre 94% a 97% e é igualmente dependente da qualidade do exame" (MS, Caderno de Atenção Básica nº13, 2013)
Mulheres de alto risco para câncer de mama são aquelas que:

  • têm um ou mais parentes de 1º grau (mãe, irmã ou filha) com câncer de mama antes de 50 anos;
  • têm um ou mais parentes de 1º grau (mãe, irmã, ou filha) com câncer de mama bilateral ou câncer de ovário;
  • apresentam história familiar de câncer de mama masculina; e
  • apresentam lesão mamária proliferativa com atipia comprovada em biópsia.

Mulheres com risco elevado de câncer de mama devem ser submetidas à mamografia, anualmente, a partir dos 35 anos de idade (MS, 2004).
Recomenda-se realizar uma mamografia, em mulheres de 50 a 69 anos de idade a cada dois anos (MS, Caderno de Atenção Básica nº13, 2013).
Os resultados de ensaios clínicos randomizados sugerem que, quando a mamografia é ofertada às mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos, com cobertura igual ou superior a 70% da população-alvo, é possível reduzir a mortalidade por câncer de mama em 15% a 23%" (MS, Caderno de Atenção Básica nº 13, 2013)
A faixa etária de 50 a 69 anos é definida como prioritária para programas organizados de rastreamento populacional, para esse exame. Há evidência científica atual de que a relação risco-benefício do rastreamento populacional, em mulheres na faixa etária de 40 a 49 anos, é pouco favorável. (MS, Caderno de Atenção Básica nº 13, 2013).

Usos

Contribuir para avaliar a adequação do acesso a mamografias da população feminina na faixa etária de 50 a 69 anos.
Analisar variações geográficas e temporais no acesso a mamografias da população feminina na faixa etária de 50 a 69 anos, identificando situações de desigualdade e tendências que demandem ações e estudos específicos.
Subsidiar processos de planejamento, gestão e avaliação de políticas voltadas para a saúde da mulher.

Limitações

O indicador avalia a oferta de exames de mamografia com base no número de exames feitos e não no número de mulheres examinadas, podendo não retratar a real cobertura da população alvo do rastreamento, uma vez que uma mesma mulher pode ter realizado mais de um exame.

Alguns cuidados devem ser observados na análise, pois uma razão elevada de mamografias para a população alvo não significa necessariamente boa cobertura, mas a capacidade da rede de ofertar o exame.

Para análise do resultado do indicador, seria interessante obter informações sobre a periodicidade de realização do exame e/ou a cobertura da saúde suplementar. Assim, será possível avaliar se parte significativa das mulheres repete o exame fora da periodicidade recomendada e se parcela representativa dos exames em uma determinada localidade são feitos pelo sistema privado de saúde. Estas informações complementares auxiliam a compreender o significado do resultado obtido.

Fonte

Ministério da Saúde: Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA).
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): Estimativas populacionais e Censo 2010 (Datasus).

Método de cálculo

Número de mamografias de rastreamento realizadas no período de 2 anos em mulheres de 50 a 69 anos, residentes em um município, dividido pela população feminina na faixa etária de 50 a 69 anos residentes no mesmo município, no último ano do biênio avaliado.

Numerador: Tabela de Procedimentos Unificada do SIA e SIH, procedimento 0204030188 mamografia bilateral para rastreamento, em mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, residentes em determinado município e ano de realização do exame.

Denominador: População feminina na faixa etária de 50 a 69 anos, residentes em determinado município e último ano do período de 2 anos avaliados.

Categorias sugeridas para análise

Unidade geográfica: Brasil, estados, regiões de saúde e municípios

Dados estatísticos e comentários

Proporção de mulheres de 50 a 69 anos que fizeram mamografia segundo tempo decorrido desde último exame - Brasil, 2008 e Razão entre exames de mamografia realizados em mulheres de 50 a 69 e a população da mesma faixa etária, segundo regiões, Brasil 2010-11

 

Região

Tempo decorrido desde o último exame - PNAD Saúde 2008

SIA

Até 2 anos % (a)

 Mais de 2 anos % (b)

 Nunca fez % (c)

Inadequado % (b+c)

Razão mamogr. 2010_11

Norte

35.26

14.57

50.17

64.74

9.29

Nordeste

39.78

15.06

45.15

60.21

16.75

Centro-Oeste

52.38

16.44

31.19

47.63

12.81

Sudeste

63.77

18.13

18.09

36.22

25.27

Sul

55.09

16.73

28.17

44.9

32.54

Brasil

54.23

16.86

28.91

45.77

22.77

Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD - Suplemento Saúde 2008; Ministério da Saúde - Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA)
Os dados da PNAD - Suplemento Saúde mostram que, no Brasil, em 2008, 54,23% das mulheres de 59 a 69 anos fizeram um exame de mamografia nos últimos 2 anos.
A região Sudeste apresentou a maior proporção, igual a 63,77%, a Sul 55, 09% e, a  Norte, o resultado mais baixo, 35,26%.
É preocupante o fato da média, no Brasil, ter sido em torno de 46%, para as que não  realizaram o exame e das que realizaram  em períodos maiores que 2 anos. Destaca-se as regiões Norte (64%) e Nordeste (60%), onde se verificaram percentuais muito elevados para a não realização da forma adequada desse exame básico de rastreamento do câncer de mama.

No pareamento dos dados da PNAD - Suplemento Saúde de 2008 e os dados do SIA de 2010 e 2011 (cobertura de exames realizados em 2 anos), para o indicador Razão entre exames de mamografia realizados em mulheres de 50 a 69 e a população da mesma faixa etária, pode-se  inferir que em torno de 23% dos exames são realizados no SUS, podendo-se inferir que em torno de 30% dos exames são realizados através dos planos privados de saúde ou de forma particular (desembolso direto).

O SIA apresenta dados sobre exames e não mulheres e uma mesma mulher pode ter realizado mais de uma mamografia no período avaliado.  Dados do SISMAMA do ano de 2012 indicam que 59% das mulheres tinham informação de mamografia anterior e destas 45,3% realizaram o exame no intervalo de até 1 ano (INCA/MS, Informativo detecção Precoce, Nº 4/2013).

Todos os resultados apresentado acima estão abaixo do parâmetro definido para esse indicador, que foi de 70 exames realizados para cada 100 mulheres.

Parâmetro do Indicador

70 mamografias realizadas em mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, para cada 100 mulheres nessa faixa etária, residentes no mesmo município.

Pontuação do Indicador

Se o resultado é maior ou igual ao parâmetro, a nota é 10.
Se o resultado é menor que o parâmetro, a nota será diretamente proporcional ao decréscimo do resultado em relação ao parâmetro.